Com poucos impostos, Irlanda atrai gigantes da tecnologia

Olhar Digital estreia seção especial com reportagens produzidas pelo mundo. A primeira delas retrata o interesse das empresas de tecnologia pela Irlanda, o 'Vale do Silício' da Europa

UM EXÉRCITO DE TRABALHADORES

E o maior entre os edifícios comerciais, com 15 andares em 67 metros de altura, pertence ao Google. Em Dublin, o apelido "gigante de buscas" vem com um apelo palpável. Quando desembarcou na cidade, em 2003, o Google empregava uma centena de pessoas; no ano passado, a empresa informou ter passado das 6.000, sendo metade desse número composto por funcionários diretos e a outra metade, por colaboradores em regime de contrato. O Facebook é outro que impõe respeito nas redondezas, já que tinha cerca de 1.500 empregados em 2016; sem contar que, naquele ano, a empresa anunciou ter escolhido a Irlanda para acomodar seu sexto centro de processamento de dados no mundo.

Subindo o canal que desagua nas docas, a sede do LinkedIn também chama atenção, ainda mais porque a empresa, que chegou por aqui em 2010 com apenas três funcionários, alcançou os 1.200 neste ano. Atravessando Silicon Docks para o outro lado, chega-se à Oracle, que só em janeiro de 2016 contratou 450 pessoas em Dublin, elevando sua força de trabalho a cerca de 2.000. A Oracle, aliás, está na Irlanda há mais de 30 anos e forma o time das veteranas, companhias que desembarcaram no país muito antes do boom atual. Outra da velha-guarda é a Microsoft, que chegou às três décadas na Irlanda em 2015 e hoje comanda um complexo empresarial ocupado por 2.000 profissionais.

Sede do Google em Dublin - Leonardo Pereira/Olhar Digital

Mas quem mais faz o noticiário ferver na Irlanda é a Apple, que está bem longe de todas essas outras empresas tanto em termos geográficos quanto de faturamento e pessoal. Ao contrário da maioria, a marca da maçã se estabeleceu em Cork, uma cidade que rivaliza com Dublin assim como acontece entre São Paulo e Rio de Janeiro. Em 2015, o CEO Tim Cook esteve por aqui para anunciar a construção de um novo prédio na sede local, aumentando em 25% a sua mão de obra, que alcançaria então mais de 5.000 pessoas. Estima-se, porém, que a companhia gere quase 18 mil empregos indiretos pelo país.

A Apple ajuda a explicar por que a Irlanda é tão popular entre as empresas de tecnologia, principalmente multinacionais que precisam se estabelecer na Europa. A marca da maçã luta na Justiça pelo direito de não pagar cerca de € 13 bilhões, que, na visão da Comissão Europeia, são devidos em impostos ao país que a acolheu no continente. A situação colocou empresa e governo de um lado e Comissão Europeia de outro e acabou ajudando a escancarar o modelo de taxação corporativa do país, que torna a operação de empresas de tecnologia, principalmente as que investem em negócios de internet, mais barata aqui do que na maioria dos outros países.

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