Sagitário A*

Buraco negro do centro da galáxia pode ter criado moléculas orgânicas

Renato Mota 26/02/2020 20h02
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Em simulação, pesquisadores observaram que os raios-x emitidos pelo buraco negro supermassivo Sagitário A* podem ter iniciado reações químicas que geraram moléculas de metanol e água

Sagitário A* é o nosso buraco negro supermassivo. Ele fica no centro da Via Láctea, a quase 26 mil anos-luz da Terra, e tem uma massa de quatro milhões de vezes a do Sol. Só nos últimos meses, percebemos que ele começou a agir estranho, comer mais do que o normal e até que anda com umas companhias desconhecidas. Agora, pode ser que Sgr A* tenha tido um papel na evolução da vida na galáxia.


Não obstante tenha intensificado sua atividade recentemente, Sgr A* é considerado um buraco negro mais calmo hoje em dia. Mas há indícios de que, há milhões de anos, ele pode ter sido muito mais ativo, engolindo matéria e emitindo radiação de alta energia, incluindo grandes quantidades de raios-X.

Pesquisadores da Universidade de Pequim, na China, simularam como essa grande quantidade de raios-X penetrou no denso meio interestelar do plano galáctico e seu impacto na química molecular da região. A equipe, liderada pelo astrofísico Xian Chen, estava especialmente interessada nas reações químicas em cadeia que poderiam contribuir para a evolução de várias espécies moleculares, incluindo H2O, CH3OH e H2CO (mais conhecidos como água, metanol e metanal), tanto na fase gasosa quanto na superfície dos grãos de poeira cósmica.

O resultado é que a irradiação de raios-X pode aumentar significativamente a abundância dessas espécies moleculares, que podem servir como ingredientes para o surgimento da vida. O efeito é o mais significativo em nuvens moleculares jovens de alta densidade e pode ser proeminente a uma distância galáctica de oito parsecs ou menor (mais curta do que o caminho que o Han Solo fez para sair de Kessel, ou 26 anos-luz).

“A irradiação de raios X do AGN poderia aumentar um pouco a abundância de H2O na superfície dos grãos de poeira e, ao mesmo tempo, suprimir a abundância de água na fase gasosa. Depois que o núcleo ativo é desligado, nos 107 anos seguintes, a abundância nas superfícies dos grãos permanece um pouco maior do que no caso sem raios-X, enquanto a abundância na fase gasosa quase recupera o valor do caso sem raio-X”, afirma o estudo.

Para o metanol e o metanal, as simulações apontaram dados ainda mais representativos. “Nosso modelo fiducial mostra que as abundâncias na superfície dos grãos podem ser aumentadas de uma a duas ordens de magnitude durante a irradiação de raios-X”, afirmam os pesquisadores.

De acordo com o estudo, essa abundância de produtos químicos é visível mesmo vários milhões de anos após o desligamento do núcleo galáctico ativo e pode ter tido impacto na origem e evolução de moléculas orgânicas e pré-bióticas na Via Láctea.

“A impressão química da atividade mais recente do núcleo, que poderia ter ocorrido vários milhões de anos atrás, ainda pode ser encontrada hoje nas nuvens moleculares jovens e de alta densidade que residem a distâncias relativamente pequenas do Centro Galáctico”, conclui a pesquisa.

Via: New Scientist

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