Urano

Nova hipótese tenta explicar o que tombou Urano

Rafael Rigues, editado por Liliane Nakagawa 13/03/2020 14h03
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Planeta tem eixo de rotação quase paralelo ao plano do sistema solar e gira no sentido anti-horário, ambas características bastante incomuns

Podemos dizer que Urano é o “esquisitão” entre os planetas do sistema solar. A maioria dos planetas tem o eixo de rotação perpendicular ao plano do sistema, mas Urano é “deitado”, com uma inclinação de quase 98 graus.


E enquanto a maioria dos planetas gira no sentido “anti-horário” (se você estiver observando acima do polo norte), Urano gira no sentido horário. E durante muito tempo os cientistas não conseguiram encontrar uma explicação para isso.

Uma hipótese era de que um grande corpo celeste teria colidido com Urano muito tempo atrás, tombando o planeta. Esta teoria, entretanto, tem alguns “furos” que nunca foram totalmente explicados. Por exemplo, Urano e Netuno tem períodos de rotação similares, o que sugere que “nasceram” juntos. Se Urano tivesse sofrido um impacto capaz de alterar seu eixo, é provável que o período também tivesse sido alterado.

Além disso, Urano tem um sistema de 27 luas compostas por partes iguais de gelo e rocha. Se o planeta tivesse sofrido um grande impacto, a energia seria suficiente para vaporizar o gelo, deixando para trás luas rochosas.

Mas segundo os astrônomos Zeeve Rogoszinski e Douglas Hamilton, da University of Maryland, nos EUA, o mistério da inclinação de Urano poderia ser explicado se o planeta tivesse um sistema de anéis, como Saturno. Os cientistas detalham sua hipótese em um artigo publicado no The Astrophysical Journal.

Urano tem anéis, 13 para ser exato, compostos por partículas extremamente finas e escuras, quase invisíveis para nós. Mas segundo Rogoszinski e Hamilton, para reproduzir a inclinação que vemos hoje o planeta deveria ter tido um sistema de anéis muito maior no passado.

A teoria é que um sistema de anéis grande o bastante faria o planeta oscilar em seu eixo, como um pião, fenômeno chamado precessão. Ela poderia se alinhar com a precessão orbital, quando a elipse que descreve a órbita do planeta se desloca em relação ao Sol, gerando uma ressonância secular. E esta poderia ser a responsável por uma grande inclinação no eixo do planeta.

Os astrônomos modelaram vários tipos e tamanhos de anéis para determinar seus efeitos, e chegaram à conclusão de que um grande anel, com material se depositando no planeta ao longo do tempo, poderia causar uma inclinação. Mas ela seria de no máximo 70 graus, e não 98 como é visto atualmente.

Para os cientistas, a diferença poderia ser explicada por uma colisão, mas com um corpo celeste muito menor do que o originalmente imaginado, o que é muito mais provável.

"Embora raramente possamos gerar inclinações acima de 70 graus e não possamos produzir inclinações além de 90 graus, uma colisão subsequente com um objeto com cerca de metade da massa da Terra pode inclinar Urano de 70 a 98 graus", escreveram os pesquisadores em seu artigo.

"Minimizar as massas e o número de impactos gigantes de dois ou mais para apenas um aumenta a probabilidade de produzir estados de rotação similares aos de Urano em cerca de uma ordem de magnitude", afirmaram.

Fonte: Science Alert

Astronomia Planetas Sistema Solar astrofísica
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