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A Música da Minha Vida

A Música da Minha Vida

Sergio Alpendre, editado por Cesar Schaeffer 27/09/2019 18h09
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Filme busca inspiração em comédias românticas adolescentes americanas

Após Yesterday, de Danny Boyle, outro filme que usa a música como inspiração surge no circuito comercial. Trata-se de A Música da Minha Vida, tradução sem alma para Blinded by the Light, título que homenageia uma das criações de Bruce Springsteen. Gurinder Chadha o dirige com um olho na cartilha e outro nas letras de Springsteen. 

O compositor de "Born to Run" é a inspiração para o jovem Javed (Viveik Kalra), filho de paquistaneses que tenta se adaptar aos costumes de Luton, na Inglaterra. Ao mesmo tempo, ele sonha em ser escritor, e conta com a ajuda do amigo de infância Matt (Dean-Charles Chapman), de outro paquistanês chamado Roops, que conheceu no colégio e que o apresentou à obra de Bruce Springsteen, e de sua nova namorada, uma ativista política chamada Eliza (Nell Williams).

O filme, por sua vez, busca inspiração em comédias românticas adolescentes americanas. Curtindo a Vida Adoidado, principalmente, é parte importante das fontes nas quais o diretor bebe despudoradamente, e nessa influência, consegue atingir apenas o pastiche. 

A música americana de Bruce Springsteen, apesar de ser um tanto adulta e politizada, pouco pop, cai como uma luva, pois todos têm seus problemas de aceitação e lidam com preconceitos e a estupidez de gente ignorante. 

Uma pena que a maior parte dos videoclipes de Springsteen tenham mais de cinema do que A Música da Minha Vida. Quando num dos melhores momentos de um filme se mostra o herói imigrante caminhando cabisbaixo após um protesto nazista e por trás dele aparece, bem destacadamente, o cartaz "Unindo a Bretanha – Vote conservadoramente", clamando votos para o Partido Conservador, sabemos estar diante de um longa que trata o espectador como criança, mastigando tudo para a digestão mais facilitada. Impressão que já tinhamos ao ver as letras das músicas que Javed ouve pipocando alegremente na tela, num efeito um tanto pueril.

Sob os inúmeros momentos que parecem pegar o espectador pelo pescoço para paparicá-lo a todo custo, há um romance tocante entre Javed e Eliza e uma agradável ode à música como atenuadora de desgraças. Mas o que podemos esperar do filme além de conciliação, ordenação de todos os conflitos, mesmo os aparentemente insolucionáveis, e camadas e mais camadas de clichês?

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