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Facebook suspende milhares de apps de 400 desenvolvedores por violar uso de dados

Liliane Nakagawa 20/09/2019 18h02
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Empresa não divulgou quais eram as atividades dos aplicativos

Em julho, a Comissão Federal de Comércio (FTC, na sigla em inglês) anunciou um acordo de US$ 5 bilhões com o Facebookpor violações de privacidade. Foi a maior penalidade que uma empresa de tecnologia já teve que pagar. Como parte do acordo, o Facebook lançou novos requisitos para desenvolvedores de terceiros, incluindo uma revisão anual obrigatória da conformidade.


Nesta sexta-feira (20), a rede social Facebook anunciou que suspendeu "dezenas de milhares" de apps como parte da investigação em andamento sobre o uso inadequado de dados por parte dos desenvolvedores de terceiros. A investigação faz parte de um plano que a empresa empreendeu em 2018, após o escândalo da Cambridge Analytica envolvendo privacidade de dados dos usuários. Caso que teve como centro uma consultoria política que comprava dados de milhões de usuários, os quais foram coletados, empacotados e vendidos pelo criador de um aplicativo móvel de quiz.

Em maio do ano passado, o Facebook informou que 200 aplicativos tinham sido suspensos, em agosto, foi registrado o dobro desse número. Apesar disso, a rede social tem demorado para revelar o escopo de sua investigação em andamento, 12 meses depois, ela está admitindo que investgou milhões de aplicações e suspendeu “dezenas de milhares”.

A questão obscura é que como o pequeno número de fornecedores de aplicativos, apenas 400, podem ser responsáveis por tantos apps ofensivos e passam despercebidos até que o Facebook se sinta obrigado a investigar a própria plataforma. Em uma conta rápida, se a rede social de Zuckerberg removesse apenas 10.001 aplicativos de 400 desenvolvedores, significa que cada desenvolvedor, em média, haviam criado 25 apps que violam as regras do Facebook. A empresa afima que alguns dos aplicativos suspensos ainda passam por testes.

"Isso pode acontecer por várias razões, incluindo o compartilhamento inadequado de dados obtidos por nós, disponibilizando-os publicamente, sem proteger a identidade das pessoas ou qualquer outra coisa que viole claramente nossas políticas", escreveu Archibong, vice-presidente de parcerias da companhia, em um post de blog hoje (20).

A ação também removeu permanentemente o acesso de alguns desenvolvedores ofensivos à plataforma, apesar de não especificado o número de banidos. Contra alguns fabricantes de aplicativos, a companhia tomou algumas medidas legais. Logo após as primeiras notícias sobre Cambridge Analytica, o Facebook processou dois homens ucranianos por, supostamente, acessarem dados de usuários de forma ilegal. A plataforma afirma que continua com os processos contra tais desenvolvedores, incluindo fabricantes de softwares, os quais utilizam apps vinculados à rede social com intuito de infectar telefones dos usuários com malware.

"A suspensão de um aplicativo da plataforma do Facebook não indica necessariamente o uso indevido de dados usando esse aplicativo. Em vários casos, suspendemos um aplicativo não por causa de suspeita ou suspeita de uso indevido de dados por esse aplicativo, mas por causa da associação do aplicativo a uma pessoa ou entidade que pode ter usado indevidamente os dados do Facebook, violando nossas políticas. A suspensão também não indica que um aplicativo teve acesso ou adquiriu dados significativos do usuário, pois alguns aplicativos associados a uma entidade suspeita podem ser aplicativos de "teste" que nunca foram lançados ao público. A identificação rápida de possíveis incidentes de uso indevido de dados é particularmente desafiadora, pois análises técnicas e etapas de investigação mais complexas e demoradas, como entrevistas pessoais de desenvolvedores de aplicativos, são frequentemente necessárias para determinar com precisão se um desenvolvedor usou de fato os dados do usuário", afirmou um porta-voz do Facebook em uma declaração feita ao site The Verge.

A notícia chega quando a empresa enfrenta 11 investigações em andamento do Departamento de Justiça, procuradores gerais do Estado e da Comissão de Valores Mobiliários sobre possíveis violações antitruste e de privacidade. Uma delas, uma ação movida pelo procurador-geral do Distrito de Columbia, é uma resposta às revelações da Cambridge Analytica.

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