Virou político para divulgar fake news

Americano vira candidato para poder espalhar fake news no Facebook

Vinicius Szafran, editado por Liliane Nakagawa 04/11/2019 20h11
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Iniciativa de Hampton ocorre após mais de 200 funcionários do Facebook assinarem uma carta endereçada ao CEO Mark Zuckerberg, levantando preocupações sobre a política de anúncios políticos da empresa

Um ativista americano se registrou como candidato ao governo da Califórnia apenas para poder divulgar seus próprios anúncios falsos no Facebook. O objetivo de Adriel Hampton, de San Francisco, é confrontar a decisão da gigante da tecnologia de permitir a veiculação de propaganda política não verificada em sua plataforma.


"A gênese da minha campanha é a regulamentação da mídia social e garantir que ninguém fique de fora da checagem de fatos, especificamente políticos como Donald Trump, que gostam de mentir online", explicou ele ao site CNN Business. Mas a empresa de Mark Zuckerberg não está disposta a deixar Hampton espalhar fake news.

O ativista faz parte da Really Online Lefty League, que se descreve como um "comitê político digital para os 99%". Ele diz que seu propósito é combater forças políticas conservadoras que ganharam força com suas atividades on-line por meio de muito dinheiro. "Acho que as redes sociais são incrivelmente poderosas. Acredito que o Facebook tem o poder de mudar as eleições". 

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A iniciativa de Hampton ocorre após mais de 200 funcionários do Facebook assinarem uma carta endereçada ao CEO Mark Zuckerberg, levantando preocupações sobre a política de anúncios políticos da empresa, de acordo com o The New York Times.

"Liberdade de expressão e expressão paga não são a mesma coisa", diz a carta. "Nossas políticas atuais sobre checagem de fatos sobre pessoas em cargos políticos, ou aqueles que concorrem a cargos, são uma ameaça ao que o Facebook representa". 

O senador Mark Warner, principal representante do Partido Democrata no Comitê de Inteligência do Senado, divulgou uma carta também endereçada a Zuckerberg poucas horas depois. Nela, alertou que as políticas da empresa arriscavam minar a "transparência, debate público, abertura, diversidade de opinião e responsabilidade" na política americana.

Durante um depoimento no Congresso no dia 23 de outubro, Zuckerberg admitiu que um anúncio falso retratando de forma enganosa um político "provavelmente" poderá ser veiculado na plataforma. No entanto, o Facebook removeu um anúncio falso da The Really Online Lefty League no último final de semana, no qual um dos principais senadores republicanos era retratado como se apoiasse a legislação de um grupo político.

Caso de Justiça

Agora que Hampton optou por concorrer ao cargo, o Facebook diz que continuará checando os fatos e potencialmente vetando seus anúncios. O caso pode parar na Justiça. Na noite de terça-feira (29), um porta-voz da empresa disse à CNN Business que "essa pessoa deixou claro que se registrou como candidato para contornar nossas políticas, de modo que seu conteúdo, incluindo anúncios, continuará sendo elegível para verificação de fatos de terceiros". 

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Em resposta, Hampton disse que está considerando processar a empresa por fazer "uma política específica" para ele. O Facebook defendeu sua visão, dizendo não querer restringir o discurso político. Por sua vez, a senadora democrata Elizabeth Warren, pré-candidata à presidência, acusou Zuckerberg de administrar uma "máquina de desinformação com fins lucrativos".

A diferença para o Twitter

Em claro contraste com o Facebook, o executivo-chefe do Twitter, Jack Dorsey, disse na quarta-feira (30) que sua rede vai proibir os anúncios políticos. A decisão foi anunciada por ele em sua própria conta no Twitter. Dorsey disse acreditar que o alcance das mensagens políticas "deve ser conquistado, e não comprado".

Segundo ele, os anúncios comprometem o discurso cívico, incluindo vídeos manipulados e a disseminação viral de informações enganosas, "tudo com cada vez mais velocidade e sofisticação, em escala esmagadora".

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Faz pouco tempo que o Twitter vem tomando atitudes para restringir os anúncios políticos. Após a eleição presidencial nos EUA em 2016, a empresa passou a exigir que os anunciantes confirmassem suas identidades, além de publicar um banco de dados dos anúncios exibidos na plataforma.

Em uma referência indireta a Zuckerberg, Dorsey disse que a luta contra a desinformação online é dificultada quando as empresas aceitam pagamento por conteúdo político enganoso. De acordo com o Twitter, os anúncios políticos representam apenas uma parcela dos negócios de publicidade da empresa.

Via:  BBC

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