Cápsula com ovos do Aedes aegypti

Nova tecnologia suprime 95% do mosquito da dengue em teste

Luiz Nogueira 19/05/2020 12h05
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Projeto criado pela empresa Oxitec utiliza mosquitos machos modificados do Aedes aegypti para acasalar com fêmeas infectadas e impedir a disseminação da doença

Nesta terça-feira (19), a empresa Oxitec anunciou o resultado de um experimento que teve como objetivo combater o Aedes aegypti, mosquito responsável pela transmissão da dengue, da chikungunya, da zika e da febre amarela.


De acordo com a companhia, o teste, realizado em estreita colaboração com a cidade de Indaiatuba (São Paulo), foi bem-sucedido em suprimir 95% da população do Aedes aegypti em 13 semanas. Esse percentual foi calculado com base em áreas de controle não tratadas na mesma cidade.

O tratamento envolveu a colocação de mini cápsulas com ovos de mosquitos chamados 'Aedes do Bem' em propriedades residenciais uma vez por semana. Todo o processo é feito de forma rápida, sem ferramentas ou manuseio especial.

O esforço gerou uma rápida supressão do transmissor da doença em uma área em que moram cerca de 1.000 pessoas. Além do combate ao mosquito, a tecnologia foi 100% eficaz na eliminação de larvas fêmeas, segundo a empresa.

Mosquitos Aedes do Bem

Reprodução

Tecnologia tem como objetivo controlar o nascimento de mosquitos que transmitem a doença. Foto: Pxhere 

A tecnologia funciona de forma curiosa: ao adicionar água às cápsulas, mosquitos machos são gerados. No entanto, eles são geneticamente modificados para não picarem e não transmitirem a doença.

Após saírem da caixa em que foram acondicionados para que cresçam, se dispersam no ambiente para acasalar com fêmeas Aedes aegypti infectadas em uma área de até 8 mil metros quadrados.

Usando uma tecnologia proprietária da Oxitec, a produção desses mosquitos foi pensada para ser feita em instalações centralizadas, ser estavelmente armazenada e poder ser implantada em qualquer lugar do mundo, sem a necessidade de uma equipe especial.

No início deste mês, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) concedeu à Oxitec uma permissão experimental para que testes de campo sejam feitos nos Estados Unidos.

Caso a implementação também seja bem-sucedida, pode ser que a tecnologia ajude na diminuição dos índices de infectados registrados pela Organização Mundial da Saúde – que estima mais de 390 milhões de pessoas acometidas pela dengue todos os anos.

Saúde Brasil Tecnologia doença São Paulo
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